Quando a chave codificada ou a canivete quebra, o mais comum é que dê para trocar só a carcaça (capa) e reaproveitar o chip e a placa de dentro, sem fazer uma chave nova. Só quando o chip foi danificado ou perdido é que a opção passa a ser programar uma chave nova.
Antes de qualquer decisão: recolha tudo
Quebrou a chave, junte todos os pedaços. Mesmo um fragmento pequeno pode ser o que o chaveiro precisa.
- Guarde a lâmina, a capa, os botões de borracha, a mola e a placa verde ou preta que fica dentro, se tiver saído.
- Não tente fechar a chave à força, nem inserir a parte quebrada no cilindro de ignição ou de porta.
- Se a chave quebrou dentro da ignição, não use alicate nem insira outra chave tentando empurrar. Isso deforma o cilindro.
- Se a lâmina está trincada mas ainda gira, não insista: ela pode partir de vez dentro do cilindro.
A parte que mais importa é o chip (transponder), um pequeno cilindro de vidro ou de plástico dentro da cabeça. Se ele estiver inteiro, o serviço costuma sair mais em conta.
Tabela: tipo de quebra, solução e custo
Os valores são referências de mercado e variam por cidade, modelo e tipo de chave. Peça sempre o orçamento com o carro identificado (marca, modelo e ano).
| Tipo de quebra | O que costuma resolver | Faixa de custo aproximada |
|---|---|---|
| Capa rachada ou lascada | Troca da carcaça, com transferência do chip e da placa | Carcaça de R$ 25 a R$ 80 (só a peça); com a transferência do chip e da placa, de R$ 60 a R$ 150, em média |
| Botões de borracha gastos | Troca só da borracha, se houver, ou da carcaça completa | Valores baixos, perto do custo da carcaça |
| Lâmina partida, chip intacto | Lâmina nova cortada no padrão, ou carcaça nova com lâmina | Algumas dezenas de reais, dependendo do tipo de lâmina |
| Mola do canivete que não recolhe | Troca do conjunto da carcaça ou do mecanismo | Semelhante à troca de carcaça |
| Placa (circuito) quebrada, controle sem resposta | Troca da placa; pode exigir programação do telecomando | De algumas dezenas a pouco mais de cem reais, às vezes mais |
| Chip quebrado, perdido ou queimado | Chave nova com chip e programação | De R$ 250 a R$ 700 em carro popular, em média; importados e chaves com controle integrado passam disso |
| Lâmina quebrada presa na ignição | Retirada do fragmento pelo chaveiro | Valor de serviço de campo, que depende do local |
Uma carcaça nova de modelo popular costuma custar de R$ 25 a R$ 80. A chave codificada completa, com programação, fica em geral entre R$ 250 e R$ 700. Essa diferença é o motivo de valer a pena tentar a troca da carcaça antes.
Consertar ou fazer nova: como decidir
Use estas perguntas, na ordem.
- O chip está inteiro? Se sim, tente trocar a carcaça. Se não, a chave nova é inevitável.
- A lâmina é original e está inteira? Se sim, ela pode ser reaproveitada ou copiada. Se está rachada, é melhor trocar antes que ela parta dentro do cilindro.
- O telecomando (botões de trava) ainda responde? Se não, o problema pode ser só pilha, ou pode ser placa. Comece pela pilha antes de decidir.
- Você tem uma chave reserva? Se tiver, a urgência cai e você pode escolher com calma entre consertar e fazer outra.
- A chave quebra repetidamente? Se sim, o problema pode estar no cilindro de ignição, que está duro e força a chave. Peça que o chaveiro teste o giro com uma chave nova.
Passo a passo do conserto pelo chaveiro
Quando o chip está bom, o serviço costuma seguir esta lógica.
- O chaveiro identifica o tipo de chave pelo modelo e pelo ano do carro.
- Ele abre a carcaça antiga e retira o chip e a placa de dentro.
- Passa o chip e a placa para a carcaça nova, na mesma posição.
- Corta ou ajusta a lâmina no padrão da chave antiga, se for o caso.
- Testa a partida com o carro: a chave deve girar sem esforço e o motor pegar na hora.
- Testa as travas e o alarme, se houver telecomando.
Esse é um serviço de bancada. Você não precisa abrir a chave em casa: a placa e o chip são frágeis, e um corte ou uma pressão errada podem danificá-los.
O que não fazer
- Colar a lâmina: a cola deixa a chave com superfície irregular. Dentro do cilindro, isso pode travar ou raspar o miolo.
- Usar a chave rachada até "dar" a hora: a quebra definitiva costuma acontecer na ignição, no pior momento.
- Comprar chave "universal" sem programação: ela pode entrar na ignição e abrir portas, mas não libera a partida se o carro tem imobilizador.
- Mandar fazer uma chave sem identificar o carro: o chaveiro precisa do modelo e do ano para escolher a lâmina, a carcaça e o chip certos.
Chave canivete: o que costuma falhar
A chave canivete tem uma peça a mais que a chave comum: o mecanismo que dobra e solta a lâmina. É ali que o desgaste aparece primeiro.
- A lâmina não recolhe ou não trava aberta: a mola ou o pino de articulação cedeu. Com uso, a folga aumenta e a lâmina balança dentro da ignição.
- A lâmina sai da carcaça: o pino partiu. Não force de volta, porque a peça solta pode ficar dentro da capa e danificar a placa.
- Os botões afundam e não voltam: a borracha condutiva ressecou, ou a capa quebrou o apoio. Isso costuma se resolver com carcaça nova.
- O controle funciona só às vezes: pode ser pilha fraca, contato oxidado ou solda da placa. A pilha é o primeiro teste e o mais barato.
O ponto comum é que a parte frágil costuma ser mecânica, não eletrônica. Por isso a carcaça nova resolve boa parte das quebras sem tocar no chip.
Quando chamar um técnico
Procure um chaveiro que faça programação quando:
- o chip quebrou, sumiu ou o carro deixou de reconhecer a chave;
- a lâmina partiu dentro da ignição ou da porta;
- a chave só tem uma unidade, sem reserva, e já está rachando;
- o telecomando não responde nem com pilha nova.
Na visita, peça que ele mostre o chip antes e depois da troca da carcaça, teste a partida na sua frente e diga o que foi trocado. Se ele propuser chave nova, pergunte por que o chip antigo não serve: a resposta deve ser concreta, como chip rachado ou placa queimada.